quarta-feira, 25 de março de 2009

apresentação do projeto -

Desde que me entendo por gente, amo a linguagem da astrologia ; as sugestões poéticas que são evocadas na "simples" leitura de um mapa astral. No momento, venho desenvolvendo uma tradução plástica à essa miríade de códigos que se engendram simultaneamente nos aspectos de uma carta natal. Nesse programa totem, chego na casa das pessoas, e então, proponho construir uma organização com os objetos da casa, que é uma transcodificação em linguagem objetual do mapa da pessoa que aí habita . Os códigos astrológicos próprios: elementos, signos, casas, planetas, aspectos, etc que vão guiando - através das sugestões plásticas intrínsecas na própria poética da linguagem astrológica - à organização dos objetos do lar. Uma instalação que vai ,então, se configurando de maneira , por vezes, confusa.

. cada mapa - retratato de um momento do céu - é um mundo de combinações originais, concatenações abstratas, sugestões metafóricas, padrões energéticos e comportamentais.
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cada espaço doméstico é outro mundo à parte habitado por objetos carregados de funções, simbolismos,formas, cores, afetos e históricos.


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procuro dispor num mesmo contínuo, esse rico conjunto de códigos da linguagem astrológica desenvolvida por nossos ancestrais à uma linguagem plástica que se faz com os objetos do cotidiano contemporâneo.
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como os antepassados construíram sua relação com a visualidade celeste e como o homem contemporâneo pode se relacionar sensivelmente com um mundo de objetos mil como as estrelas.
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construir ligações entre o mundo de objetos da sociedade do consumo ao mundo de aspectos do documento celeste , gerando um totem instalação que traga em suas entranhas o coloquial, o ancestral, o místico, o banal, o pessoal, o "universal" arquétipo; enfim o próprio homem com seu legado e seu presente, numa síntese poética efêmera.

Trabalhar na fronteira do emblema do código astrológico do mapa natal, numa transcodificação para os objetos domésticos; que emblemize as sugestões poéticas-míticas-energéticas dos acordos celestes.



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Quero uma relação entre percepção poética aglutinada à interpretação mítica. Sem uma tangente justificar por si só a solução material.
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Pois estou buscando um sensorialidade que se constroi na confusão conceito-forma ; sacro-profano, mítico e banal , pessoal -massivo.
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Mesmo que, no caso da mesinha branca, seja pra servir de base pra alguma coisa. Qualquer objeto que entra deve ter seu por que muito bem resolvido. Isso é um totem, me cobro um respeito pelo legado mítico de nosso antepassados.
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Mas infelizmente a mesinha ficou e terminei não redimencionando-a no momento a nenhum aspecto. Esse tipo licença puramente estética foge completamente do que busco.
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Quando chego numa casa pra edificar um totem- olho tudo nela através do mapa astral do dono- e vou deixando as correspondencias agirem. As vezes a nivel puramente literal- elementos fogo , ar, gua., terra - as vezes metafóricos. E nessa conta foi traçando as equações de transcodificação.
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Como aquela história daquele cara que o Deleuze conta que caminhava por Berlim com o mapa de Londres. Pois bem, é mais ou menos isso.
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Só que cá nos totens a relação mapa-território é sustentada por um elo que envolve sugestões energéticas astrológicas, arquetipos pessoais, projeção/compensações que fazemos nos objetos, sincronicidade das danças dos astros com o vai e vem dos objetos pela casa; etc Enfim o código emblemático construido pelas nossos antepassados.
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Outra coisa: ainda aqui, não tinha refletido sobre as andanças que os objetos fazem pela casa em suas trajetórias cotidianas. Essa percepção só me chegou depois - A instrumentalização dessa percepção, e das possibilidades de construção sobre mais essa tangentes simbólica, ficará para os próximos totens.

1.
Se venho do campo da escultura-instalação e olho pros totens: faltam-lhe concepção mais plástica; são ingratos a minha mão.
Não me oferecem outras chances, além da justaposição. Não há violação de cada objeto/peça usado.

O dialogo entre as partes é bem definido em suas regras.
Não tenho como como fundir um objeto ao outro , quebrar, amoldar, inutilizá-lo ... enfim, mexer na estrutura de cada um que forma(m) o todo.

2.

Se venho pela ótica de um processo de transcodificação da linguagem astrológia em objetos cotidianos visando possibilidades de enriquecimento simbólico desses objetos ordinários; aí a intenção da ação passa a fazer mais sentido.

Pois aqui, na justaposição das peças , essas não só são objetos , são objetos - linguagem das cartografias celestes. Um outro nível do código emblemático da carta astral.

Cá , as peças - copos, fronhas, tapete, bacia, fios, etc - irão se preencher de novos sentidos- além de seus sentidos dados pelas noções comuns e imediatas. Para então, depois de desfeito o totem , voltarem para suas funções ordinárias , mas ficando na reserva da mémória de quem as usa diariamente, a impregnância simbólica daquele emblema mítico que por um instante cada uma das peças - especificamente - edificou (planetas, casas,aspectos, signos, elementos, etc) , dentro do todo instalatório justaposto ( mapa astral) , na cotidianidade doméstica.(caos-cosmos)

No pgma Totem busco oferecer uma fruição mítica e ritualistica aos objetos ordinários, emprenhando-os de outras funções simbólicas , também bem pessoais a quem com eles convive. Um outro nível de intimidade buscada no passado visual celeste construido pelos nossos antepassados que nos legaram a astrologia e sua poética.

3° : os elementos que não são mensuráveis pela unidade, mas pela materialidade como , aguá folhas de papel , areia etc são diferentes das peças. Essas últimas podem vir a ser reintegradas na cotidianidade, já a aguá, areia etc - na maioria dos casos, não voltarão ao circuito.Mas fica a unidade material geral desses elemntos, que foi presentificada[esse unidade] no totem através de uma porção daquela materialidade. São de outro patamar simbólico dentro do mundo de objetos.Escapam à definição geral daqui.